A PESSOA DA PESSOA DA MINHA PESSOA

 

How many masks wear me, and undermasks, 

Upon our countenance of soul, and when,

If for self-sport the soul itself unmasks,

Knows it the last mask off and the face plain?

The true mask feels no inside to the mask

But looks out of the mask by co-masked eyes.

Whatever consciousness begins the task

The task's accepted use to sleepless ties.

Like a child frighten by its mirrored faces

Our souls, that children are, being thought-losing,

Foist otherness upon their seen grimaces

And get a whole world on their forgot cousin;

And , when a thought would unmask our soul's masking,

Itself goes not unmasked to the unmasking.

Fernando Pessoa, Poemas Ingleses

"Se não sofressemos os tão falados traumas de infância seriamos todos iguais" disse-me um dia o meu filho quando tinha 12 anos."

Todos iguais todos diferentes é o ponto de partida para o espetáculo A Pessoa da Pessoa da Minha Pessoa, quantos rostos e quantas mascaras disfarçam o nosso espírito e os nossos pensamentos. 

Num espaço condicionado e estruturado por plataformas desniveladas, os bailarinos evoluem sofrendo sucessivas metamorfoses à medida que passam uma porta simbolica para o espaço - transição até ao reflexo de si mesmos, assustados por tirarem as máscaras que desvendam as máscaras da alma, restando a solidão e a sua vulnerabilidade. 

AMANHÃ DECIDO

"Permaneceu ainda algum tempo sentado, profundamente absorto nos seus pensamentos e passando a língua pelos dentes, antes de se decidir a comer o resto do pão e a beber o resto do vinho. Em seguida pegou na lata vazia, nas cascas da pêra e no papel do queijo e embrulhou tudo no saco, juntamente com as migalhas do pão, depositou o lixo e a garrafa vazia no canto, atrás da porta, retirou a mala de cima da cadeira, arrumou a cadeira no seu lugar, na abside, lavou as mãos e foi para a cama. Enrolou o cobertor de lã aos pés da cama e tapou-se apenas com o lençol. Depois apagou o candeeiro. A escuridão era completa. Não penetrava no quarto um único raio de luz, nem sequer pela fresta, lá no alto, só a fraca corrente de ar quente e húmido e os ruídos vindos de muito, muito longe. A atmosfera era sufocante. "Amanhã mato-me", disse. E adormeceu."

Patrick Suskind, em "A Pomba"

Direção e coreografia: Luís Carolino

Música Original: Guida Bastos

Desenho de Luz: Orlando Worm

Seleção de Figurinos: Carminda Bote

Projeções: Carlos Silva

Criação e interpretação: Simon Moore e Mário Gonçalves

Estreia: 28 outubro 2000

FLIPPIN'EK

"Eu não sei nada das leis que fazem reunir-se estas pessoas que não se conhecem, que eu não conheço, nesta rua onde vou pela primeira vez na minha vida, e onde nada tenho a fazer, a não ser olhar esta multidão que vai e vem, se precipita, pára: o que fazem estes pés sobre os passeios, estas rodas sobre as calçadas? Para onde vai? Quem os chama? Quem os faz regressar? Que força ou que mistério os faz pousar alternadamente no passeio o pé direito e depois o esquerdo, com uma coordenação que dificilmente poderia ser mais eficaz?"

George Perec

Direção e Coreografia: Luis Carolino

Banda sonora: Luis Carolino

Desenho de Luzes: Orlando Worm

Seleção de Figurinos: Luis Carolino

Execução de Figurinos: Carminda Bote

Intérpretes: Mafalda Deville, Simon Moore, Tara Hodgson, Verna Filipovic, Joana Nossa, Mário Gonçalves

Estreia: 28 outubro 2000

Conceção e Direção: Elisa Worm

Composiçao Coreográfica (sobre improvisação dos intérpretes): Mafalda Deville

Figurinos: Elisa worm

Música Original: Guida Bastos

Cenografia: Isabel Worm

Desenho de Luz: Orlando Worm

Confeçao do guarda Roupa: Carminda Bote

Improvisaoaç e Interpretação: Mafalda Deville, Simon Moore, Tara Hodgson, Vesna Filipovic, Joana Nossa, Mário Gonçalves

Estreia: 18 maio 2000