Concepção e composição coreográfica: Luís Carolino
Interpretação e criação: Joana Nossa, Susana Otero, Rui Marques e Elisa Worm
Música: A Silver Mount Zyon; Rachel’s e Anouar Brahem
Colagem musical: Luís Carolino
Figurinos: Patrícia Costa
Desenho de Luz: João Teixeira
Texto: Markus Zusak, «The Book Thief»
Tradução e texto adicional: Luis Carolino
Dramaturgia e adaptação do texto: Luís Carolino e Elisa Worm
Design Gráfico e imagem: Patrícia Costa
Fado Advinha, Mísia/José Saramago, cantado ao vivo por Joana Nossa

NOCTURNO

 

Uma mulher da vida, um homem solitário e uma falsa suicida habitam um espaço vazio.
Nocturno assume-se como uma visita à vida destas três personagens guiada pela própria Morte, a quarta personagem em cena, que nos fala a todos na primeira pessoa; fala-nos de si, do seu «trabalho», e de como nos vê. Um olhar muito próprio, implacável, terrível, mas, ao mesmo tempo, quase maternal: uma reflexão sobre esse incrível e improvável grão de tempo que é a nossa vida, o tudo-nada durante o qual somos.
Nocturno é uma incursão no nosso lado mais escuro, não necessariamente o nosso lado mais negativo, apenas o mais privado e secreto; o lugar de todos os medos e todas as ternuras, o reino da sensibilidade, da intimidade; o sítio onde nos encontramos com nós próprios.
Uma certa e solitária melancolia encontra-se com o mal de vivre contemporâneo deste nosso mundo que parece ter perdido o pé.
Isto assusta-nos, muito, mas é preciso não ter medo.

Luís Carolino, Maio 2008