BALLET // CONTEMPORÂNEO // NORTE

O título Ballet // Contemporâneo // Norte propõe a decomposição das palavras que compõem o nome da companhia, palavras que irão ganhar novos sentidos na sua relação com esta produção. BALLET surge como provocação para um olhar sobre duas coreógrafas que têm investigado novas formas de abordar práticas físicas, técnicas, metodologias, gramáticas e linguagens coreográficas. Também como uma provocação de uma revisitação de dramaturgias formalistas que investem na arquitectura de uma linguagem mais do que numa lógica de “conteúdo” muito marcada em Portugal pelo peso do Dance-Theatre. CONTEMPORÂNEO constitui-se como pergunta ou provocação a uma ideia essencialista de uma história da dança cronicamente escrita a partir de um Ocidente central: normativo, branco e masculino. Existe uma contemporaneidade absoluta? Ou deveríamos antes perspectivar contemporaneidades relativas e simultâneas, que coexistem e dialogam a partir de múltiplas vozes? Num programa que também existe em diálogo com o contexto de Estocolmo, onde vivo e onde tomei contacto com as práticas destas duas coreógrafas, a palavra NORTE surge aqui na sua relatividade geográfica — Santa Maria da Feira está no Norte de Portugal, e Portugal está no Sul da Europa —, expondo uma provocação evidente: como é que uma palavra aparentemente objectiva tem afinal outros significados quando olhada de uma outra perspectiva. O nome que proponho para este programa propõe, assim, uma reflexão sobre uma companhia e o seu nome enquanto objecto que se reinventa ao longo do tempo, e que ganha diferentes significados quando olhado por diferentes perspectivas, passando pela mão de diversos curadores, coreógrafos e bailarinos, etc.

 MEROPS

de Rebecka Stillman

29 setembro

22h

Cineteatro António Lamoso, Santa Maria da Feira

 

"Assim como um devaneio, Merops paira entre três tempos. A base no presente são as atividades pelas quais no encontramos diariamente sob a forma de uma companhia de dança, este encontro que forma aquilo que a companhia é, e naquilo em que a companhia se está a transformar. A partir daí, a peça estende-se em duas direções: uma é a ativação da história recém-construída do que a companhia tem sido, uma ficção e uma narração, até certo ponto uma autobiografia por um escritor fantasma. O outro toma como ponto de partida essa mesma história, misturando o funcional com o que é inerentemente ausente de função, num movimento bi-direcional possivelmente corrupto. Ao materializar e executar os devaneios sonhados colectivamente, a peça equilibra-se no limiar daquele momento em que o imaginado quase acontece".

 

um espetáculo do Ballet Contemporâneo do Norte

coreografado por Rebecka Stillman 

dançado por Dinis Machado, Jorge Gonçalves e Susana Otero 

Desenho de Luz: Rebecka Stillman e Dinis Machado

Música Original: Red Damask (Orange) de Linnéa Martinsson e Codeax de Ofelia Jarl Ortega

Figurinos: Rebecka Stillman

Execução de Figurinos: Conceição Moreira

Fotografia de Cena: Miguel Refresco

Registo Vídeo: Sofia Arriscado

Produção: Ballet Contemporâneo do Norte

Residência de criação: ICC Imaginarius Centro de Criação - Arte e Espaço Público (Santa Maria da Feira)

O Ballet Contemporâneo do Norte é financiado pelo Governo de Portugal/Secretaria de Estado da Cultura (Direção Geral das Artes) e Câmara Municipal de St Mª da Feira / Feira Viva

A round shadow with three points / Uma sombra circula com três pontos

de Litó Walkey

29 setembro

22h

Cineteatro António Lamoso, Santa Maria da Feira

 

Atos verbais de descrição celebram sombras próximas de nós, visíveis como são (e foram) no momento e em movimento. Um processo migratório de observar, nomear, mostrar, em parceria com outros, extrai gestos que reencaminham e  recentram as nossas trajetórias naturais de atenção. Esta é uma experiência que aplica liberdades associativas de acumular, justapor e organizar possibilidades de metáfora. Aglomerados de nervos narrativos aparecem e desaparecem enquanto o material de memória regista o seu rastro. Alternando entre tocar à tangente, mostrando nalgum lugar, e apontando para além do fim de si mesmo. O que nos é próximo pode novamente ser estranho, múltiplo e desconhecido, digno de investigação e, finalmente, de delicadeza.

um espetáculo do Ballet Contemporâneo do Norte

coreografado por Litó Walkey

dançado por Dinis Machado, Jorge Gonçalves e Susana Otero 

Desenho de Luz: Dinis Machado

Figurinos: Litó Walkey

Execução de Figurinos: Conceição Moreira

Fotografia de Cena: Miguel Refresco

Registo Vídeo: Sofia Arriscado

Produção: Ballet Contemporâneo do Norte

Residência de criação: ICC Imaginarius Centro de Criação - Arte e Espaço Público (Santa Maria da Feira)

O Ballet Contemporâneo do Norte é financiado pelo Governo de Portugal/Secretaria de Estado da Cultura (Direção Geral das Artes) e Câmara Municipal de St Mª da Feira / Feira Viva