historial

Companhia de dança com 22 anos de trabalho no contexto da dança contemporânea Portuguesa. Iniciou actividade em 1995 como estrutura amadora, tendo por base o grupo de estudantes entusiasmados da escola de Conchita Ramirez, em Espinho. Os anos de 1996 e 1997 foram de afirmação e desenvolvimento do talento e da vontade existentes. Em 1997, o BCN conseguiu o seu primeiro subsídio pontual do Ministério da Cultura e, a partir de 1998, foi-lhe garantido um apoio anual, tendo passado a bianual em 2001/2002. A companhia terá sido fundada em Estarreja por Elisa Worm, que lá permaneceu e desenvolveu trabalho artístico durante vários anos, impulsionada pelo desejo de contribuir para a formação estética, educação e sensibilização de novos públicos, bem como pela vontade de aproveitar os recursos artísticos e humanos de uma região do País onde a dança era praticamente ausente.

Em Julho de 1998, o BCN assina com a Escola de Dança do Conservatório Nacional de Lisboa (representados respectivamente pela Presidente da Direção Elisa Worm e a Presidente do Conselho Directivo Ana Pereira Caldas) um protocolo que proporcionaria um contacto efectivo entre a Escola e o meio profissional. Ao abrigo desse protocolo, o BCN passou a oferecer um estágio de um ano aos alunos que, tendo terminado com aproveitamento o 8.º ano do Curso de Formação de Bailarinos da EDCNL, correspondessem ao perfil técnico e artístico exigido pela companhia. Em Março de 1999, dá-se um novo e importante passo no desenvolvimento do BCN, com o aluguer de instalações próprias, que incluíam estúdios, um auditório devidamente equipado e salas de apoio, graças a um apoio financeiro do Ministério da Cultura. Ao longo dos oito anos em que a companhia trabalhou no Espaço BCN, e para além do desenvolvimento do seu trabalho criativo, foi possível levar produções a todo o País e estrangeiro, desenvolvendo-se uma dinâmica de criação de públicos para os mais variados tipos de espectáculo. Apresentações nos ciclos das Quintas-Feiras de Arte e Cultura e na Semana da Dança Contemporânea de Estarreja (programa que teve nove edições) abriram portas a uma série de espectáculos (dança, teatro, música, cinema, etc.) apresentados pelo BCN e por companhias convidadas, com a realização de ateliers, conferências e exposições, conduzindo à formação de um público cada vez mais esclarecido e exigente. No contexto desse trabalho de formação, desde logo foi dado um ênfase particular aos espectáculos em horário especial para determinadas faixas etárias (infância e terceira idade), em estreita colaboração com as escolas e as instituições de apoio à terceira idade locais. Este trabalho revelou-se de uma importância capital para a companhia e para a região, tendo estimulado o interesse pelas artes performativas e o estabelecimento de hábitos culturais em públicos específicos.

 

Sempre a pensar no futuro artístico do projecto Ballet Contemporâneo do Norte, desde sempre se estimulou a apetência e o talento pela criação coreográfica de todos os membros da estrutura, concretizando-se o projecto de descentralização da produção artística que faz parte da missão da companhia desde a sua fundação. O BCN é um lugar de criação e experimentação, diálogo e discussão, intercâmbio de ideias e saberes, tendo sempre por base a criação e o pensamento artísticos, com particular enfoque na Dança. Neste contexto, e a partir do Espaço BCN, foi possível dar continuidade ao trabalho de formação técnica e artística dos bailarinos, assegurando o desenvolvimento do seu percurso profissional. Em 2000, realizam-se audições a nível nacional e internacional, apostando-se numa renovação do elenco da companhia numa lógica de profissionalização. Nesse ano, o BCN assume um carácter profissional.

 

Em Março de 2007, e após um progressivo desinteresse e desinvestimento financeiro por parte da autarquia local que terá levado ao estrangulamento financeiro do projecto, o BCN viu-se forçado a encerrar as suas instalações em Estarreja e a procurar um novo local para se estabelecer e dar continuidade às suas actividades. A companhia muda-se, então, para Santa Maria da Feira, desenvolvendo o seu programa artístico diariamente no Cineteatro António Lamoso.

 

Em 2011, Susana Otero é convidada a assumir a direcção artística. Sob esta direcção, e ao longo dos últimos anos, a missão da companhia tem-se concentrado na luta contra a precariedade no sector e à garantia de condições de trabalho. Em 2015, Dinis Machado é convidado a ser o primeiro Artista Associado do BCN, acumulando também a função de assistente à direcção artística. Em 2016, Rogério Nuno Costa associa-se igualmente à companhia.

 

A começar em 2017, o BCN desenvolve um programa anual de curadoria, convidando criadores a assumirem o desenho do programa artístico da companhia durante um ano. O programa desenrolar-se-á ao longo dos próximos 4 anos. Um espaço ideal para estabelecer as bases de uma estrutura que, desde o início, se identifica com o projeto geral de descentralização da produção cultural, investimento no talento local tanto de bailarinos como coreógrafos, além de um trabalho preponderante de criação e formação de públicos através do trabalho do Serviço Educativo prestado à comunidade jovem de todo o município. O BCN apresentou os seus trabalhos principalmente em Portugal, em localidades como: Estarreja, Viseu, Ovar, Porto, Aveiro, Lisboa, Mourão, Beja, Amadora, Castelo de Paiva, Tondela, Faro, Covilhã, Idanha-a-Nova, Gouveia, Castelo Novo, Marvão, Monsanto, Idanha-a-Velha, Fundão, Avanca, Espinho, Portimão, Vila do Conde, Almada, Sintra, Coimbra, Seia, Oliveira de Azeméis, Bragança, Amarante, Figueira da Foz, Portalegre, Covilhã, Alcobaça, Vila Nova de Foz Côa, Águeda, Santa Maria da Feira, Castelo Branco, Vila Nova de Gaia, Santarém, Sever do Vouga e Felgueiras e internacionalmente na França, no Brasil, no México, em Espanha e este ano na Suécia e Alemanha.