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#bcn25anos

INICIAÇÃO propõe revisitar a génese do Ballet Contemporâneo do Norte, a sua missão e os profissionais que assistiram à sua construção. O título remete, simultaneamente, para as práticas ritualísticas do início e/ou da passagem, mas também para os processos pedagógicos de transmissão introdutória de conhecimento. Mas mais do que catalogar, antologicamente, 25 anos de produção, INICIAÇÃO pretende (re)pensar o futuro de uma companhia através da (re)ativação da memória do seu impulso e das suas paixões iniciais. Protagonizada pela fundadora da companhia Elisa Worm (n. 1939), o espetáculo investe num território nostálgico e sensível, mas também paradoxal, fazendo co-habitar objetos documentais e poéticos, discursos reais e ficcionados, e aglutinando passado e futuro numa dramaturgia paralela e perpendicular ao tempo presentificado do/no palco. Um regresso a um tempo, enevoado no Tempo, que era feito de relações intensas e contínuas, em reação a esse empreendedorismo freelance/fast-food que se apropriou das práticas artísticas contemporâneas. Também a inauguração simbólica de um novo ciclo para o Ballet Contemporâneo do Norte, construído pelos seus colaboradores, acompanhadores e cuidadores habituais.

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No ano em que o Ballet Contemporâneo do Norte completa 25 anos de atividade regular no campo da dança contemporânea, nas suas dimensões de criação, produção, difusão e educação, propomos um novo andamento programático para o biénio 2020/21. Após 3 anos de atividades plurais propiciadoras de novas abordagens à apresentação de objetos artísticos no âmbito de uma companhia de dança contemporânea, com três projetos da responsabilidade curatorial de Dinis Machado (2017), Mariana Tengner Barros (2018) e Rogério Nuno Costa (2019), pretendemos partir de uma revisão cirúrgica dos resultados obtidos por essa experimentação laboratorial, em diálogo memorial com o legado da companhia, para nos posicionarmos, de forma mais sólida e estrutural, enquanto projeto analítico de/para o desenvolvimento da dança contemporânea em Portugal. Continuaremos a testar a hipótese de uma identidade (ética e estética) mutável, holística e des-hierarquizada, partilhando autorias e autoridades, e antevendo a possibilidade de uma companhia “experimental”, mas agora com um novo fôlego centrado em quem faz/faz ver (ponto de partida para o ano 2020) e em quem vê/participa (ponto de partida para o ano 2021). Um programa dual construído de forma especular que revela a dimensão “projetual” da companhia, tornando visíveis as agências e as autorias de criadores e colaboradores no primeiro ano, e de espetadores e ”participadores” no segundo. Assim, em 2020, e paralelamente à publicação do livro SISTEMA INFINITAMENTE IMATERIAL e à partilha com o público de Santa Maria da Feira de um ciclo de laboratórios de iniciação às “artes” e às “técnicas” que assistem à construção dos espetáculos, o BCN foca-se na criação de uma peça central que revisita a génese da companhia, a sua missão e os profissionais que assistiram à sua construção. INICIAÇÃO acabaria por ser cancelado devido à conjuntura pandémica, tendo sido re-agendado para 2021. Mais do que um espetáculo-homenagem (à companhia ou à sua fundadora), INICIAÇÃO pretende refletir sobre esse impulso iniciático que dá origem a um projeto, mas também a sua evolução resistente ao longo do tempo, os desafios artísticos e estéticos (também institucionais) que abraça, a forma como dialoga com a envolvente sócio-económico-política, a relação com o território e as correspondentes comunidades com que se cruza, a evidente interligação e simbiose com o meio artístico nacional e internacional, as práticas colaborativas que enceta com um número considerável de profissionais ligados à dança contemporânea, ao teatro, à performance, às artes visuais, à música e ao ensino/investigação, etc. INICIAÇÃO será, assim, não só o nome da peça-espetáculo, mas também a inauguração simbólica de um novo ciclo para o Ballet Contemporâneo do Norte: através de testemunhos internos e externos ao funcionamento da companhia, pretendemos solidificar parcerias e afetividades, antever novas colaborações e novas agências, e, assim, perspetivar novos inícios, ou novas formas, também elas experimentais, de começar. Promover, também, um diálogo inter-geracional e trans-artístico, operando uma reflexão crítica sobre os modelos de educação e transmissão de práticas e conhecimentos, ao mesmo tempo elaborando uma poética do trabalho a partir da genealogia de um percurso artístico e profissional. Na pessoa (e na experiência) de Elisa Worm, antever um (novo) paradigma tensional entre as figuras do mestre e do aprendiz. Um regresso a um tempo, enevoado no Tempo, que era feito de relações intensas e contínuas.

I N I C I A Ç Ã O​

Direção de Projeto e Co-Criação:

Susana Otero

Direção Dramatúrgica e Textos:

Rogério Nuno Costa

Primeira Bailarina e Co-Criação:

Elisa Worm

Corpo de Baile e Coreografia:

Carminda Soares, Maria Soares

Filipa Duarte e Susana Otero

Ensaiadorxs:

Joclécio Azevedo, Jorge Gonçalves

Mariana Tengner Barros e Miguel Pereira

Desenho de Luz:

Pedro Abreu

Composição Musical:

Pedro Augusto

Figurinos:

Jordann Santos

Fotografia:

Miguel Refresco

Design Gráfico:

Jani Nummela

Registo video:

Alex Barone

Produção:

BCN e Filipa Duarte

Co-produção:

FIMUV - Festival Internacional de Paços de Brandão

Agradecimentos:

Alina Ruiz Folini, Andresa Soares, Bruno Alexandre, Catarina Real, Colectivo Suspeito, Daniel Pizamiglio, Fernando Mota, Henrique Furtado Vieira, Inês Carvalho Lemos, Júlio Cerdeira, Mariana Barros, Marina Leonardo, Pan.Demi.CK, Pedro Abreu, Tiago Rosário, Valentina Parravicini, CIRAC - Círculo de Recreio, Arte e Cultura de Paços de Brandão e Auditório do Rancho Regional de Argoncilhe

ESTREIA:

2 outubro 2021, 22:00

 

Cineteatro António Lamoso

Sta. Maria da Feira

 

Espetáculo inserido no FIMUV - Festival Internacional de Música de Paços de Brandão

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