Formadores: Rogério Nuno Costa e Cátia Pinheiro 

Participantes: Desafia-TE

Produção: Ballet Contemporâneo do Norte

Co-Produção: Câmara Municipal Santa Maria da Feira

Agradecimentos: Estrutura, Andreia Casimiro, Teresa Ferreira, Mónica Gomes, Mário Moreira

DOGMA TEENS

DOGMA TEENS é uma oficina de processos criativos inspirada no manifesto Dogma 2005, conjunto de obstruções performativas da autoria de Rogério Nuno Costa. Através da imposição (mais ética que estética) de regras de “conduta”, e da realização de exercícios práticos a partir de várias matérias e temas escolhidos pelos próprios participantes, propõe-se uma experiência de formação baseada em várias disciplinas artísticas (teatro, artes visuais, performance, vídeo, fotografia, escrita, movimento) e alicerçada na ideia estruturante de que a liberdade (sobretudo a “artística”) não se fabrica, encontra-se. Esse encontro é tanto mais profícuo quanto maiores e mais desafiantes forem os obstáculos colocados. O workshop funciona como um laboratório transdisciplinar onde as várias possibilidades performativas (totalmente pensadas, criadas, produzidas e apresentadas pelos participantes) são testadas/experimentadas num ambiente ao mesmo tempo artístico, científico, jornalístico e antropológico. Pretende-se, assim, a criação de um espaço ficcional onde jovens adultos possam testar a validade, a seriedade e a dimensão política dos seus gestos e das suas acções, não tanto enquanto "artistas" mas enquanto "cidadãos", através da aceitação de um jogo (com suas regras) e respectivo compromisso perante o social. Em última análise, o workshop é sobre ideias: donde vêm, para que servem e o que podemos fazer com elas. Um espaço para adolescentes poderem preparar o (seu) Futuro, tomando decisões, discutindo, partilhando, negociando e promovendo.

 Sobre “Dogma 2005”

O texto, na sua versão simplificada “O Dogma 2005 explicado às crianças” (conjunto de 30 regras interconectáveis) apresenta uma alternativa para a criação artística contemporânea através da activação de um macro-conceito (ao mesmo tempo técnico e estético) designado por “arquivo performativo”, e auxiliado por uma infinidade de práticas de documentação. Através da criação e manipulação de dispositivos documentais diversos (apoiados em vários suportes mais ou menos tecnológicos: fotografia, vídeo, texto, desenho, oralidade, catalogação de objectos-prova, registo sonoro, etc.), o “Dogma” propõe um modus operandi passível de ser utilizado por qualquer artista/criativo que esteja disponível para se entregar a um trabalho cujo primeiro objectivo é virar do avesso (dissecando, desconstruindo, questionando, banalizando/vandalizando) os processos criativos e as práticas que lhe são mais familiares. Ou seja, retirar o artista da sua zona de conforto, não para a destruir, mas para melhor a observar (logo, compreender), e no fim decidir se lá quer voltar ou não. Ao longo desse caminho, o artista confronta-se com um conjunto de regras/obstruções que o obrigam a repensar o seu trabalho à luz de um grupo de conceitos operativos distintos mas com

plementares: autobiografia, realidade/ficção, readymade, estética “do-it-yourself”, arte/vida, ética/ estética, autoria, site-specificity, etc. Os resultados, quando apresentados publicamente, podem ter as mais diversas tonalidades, mas quase sempre se afastam formalmente daquilo que o artista está“habituado a fazer”. Conceptualmente, porém, o resultado é sempre sobre o artista e sobre a sua relação com a vontade de criar; porque o “Dogma 2005” acredita que a melhor história a contar é a história do projecto ele próprio: onde começou, como se desenvolveu, para onde se dirige, com seus avanços e recuos, suas paragens mais ou menos bruscas, suas falhas e sucessos.

Após ter sido experimentado no projecto transdisciplinar e curatorial “A Oportunidade do Espectador” (dirigido por Rogério Nuno Costa, com a participação de vários artistas, pensadores e documentaristas convidados) entre 2007 e 2010, assim como utilizado em inúmeros workshops e master classes, em Portugal e no estrangeiro, o “Dogma 2005” encontra-se agora numa fase de reformulação. Uma das novas formalizações destina-se ao público infantil/juvenil.

PRETO OU 50 TONELADAS

CARLOTA LAGIDO E ANTOINE PIMENTEL

EB S. Domingos Argoncilhe – Agrupamento de Escolas de Argoncilhe

EB Canedo – Agrupamento de Escolas de Canedo

EB Dr. Sérgio Ribeiro – Agrupamento de Escolas de Lourosa

EB Avenida Fiães – Agrupamento de Escolas Coelho e Castro

EB Santo António Rio Meão – Agrupamento de Escolas de Paços de Brandão

EB Sobral Mozelos – Agrupamento de Escolas António Alves Amorim

EB Mosteirô – Agrupamento de Escolas Fernando Pessoa

EB (a definir) – Agrupamento de Escolas Santa Maria

EB Igreja Milheirós de Poiares – Agrupamento de Escolas de Arrifana

EB Louredo – Agrupamento de Escolas da Corga de Lobão

 

Coordenação Geral: Carlota Lagido e Antoine Pimentel

Som: Antoine Pimentel

Produção: Ballet Contemporâneo do Norte

Co-Produção: Camara Municipal de Santa Maria da Feira

Fotografias Inês Nogueira

Fev/Mar/Abr 2016

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O preto tem 50 tons reconhecíveis. Comporta uma série de apropriações simbólicas que se foram transformando e tomando diferentes significados ao longo dos tempos. É uma cor de adjectivações antagónicas, com conotações, quer positivas, quer negativas. Se por um lado o preto é a cor do Anarquismo, é simultaneamente a cor do Fascismo. Até ao século XIX foi a cor das noivas, dado que o preto seria o mais adequado para o aspecto negocial que envolvia qualquer casamento na altura. Nas bandeiras africanas, o preto simboliza a autoconsiência do povo. Uma estrela preta, é o simbolo da liberdade de África. Na moda, o preto destaca o essencial de uma pessoa, a cara. O Existencialismo vestiu-se de preto, a cor do individualismo. Nos anos 50, aqueles que queriam fugir à normatização das massas, vestiam-se de preto, a cor do protesto. Preto é a cor associada ao mal, mas no entanto, é a cor clerical. Na Espanha da Inquisição, as pessoas vestiam-se de preto de forma a deixarem sobressair a expressão, sendo assim possível controlar qualquer movimento facial denunciante. O preto é também a cor da morte e do fim. Na natureza, todos os elementos, nos seus processos de decomposição, se transformam numa matéria negra. É também a cor do princípio de tudo. É a cor do vácuo. A cor que é utilizada para nomear a dita “matéria negra”, a da Astrofísica: uma matéria invisível (e teórica) de fundamental existência para que a relatividade de Einstein faça sentido relativamente ao que se observa na Astronomia. No Cinema, Sergei Eisenstein renunciou à cor nos seus filmes porque pensou que esta renúncia poderia fazer sobressair o conteúdo. Nas Artes plásticas, artistas como Robert Rauschenberg, Ad Reinhardt, Mark Rothko e Frank Stella dedicaram-se a estudar o preto, resultando estas pesquisas em séries de trabalhos tendencialmente monocromáticos.
 

 

O projecto 50 toneladas centra-se nas possibilidades de intervenção plástica e coreográfica a partir da utilização simbólica da cor preto e os seus aspectos sociológicos, ao longo dos tempos, tanto na arte como nos costumes.

Nos aspectos cénicos, o espaço preto potencia a exposição de elementos essenciais -- no caso do espaço performático, onde se estabelece o movimento ou a presença teatral, e no caso da Fotografia e do Cinema, a preto e branco, onde a luz, ou a ausência dela, ficam gravadas.   O leitmotiv do Design assenta na simplicidade e objectividade - form follows function. É com esta premissa que formulo o conceito base deste pequeno curso.  E assim, livre de aspectos superficiais, estimulo os intervenientes à utilização do corpo em movimento, à utilização da imagem em movimento |video| à  composição coreográfica, e à construção cénica que permitam situações trompe l'eil que resultam da utilização do preto e da luz e da interacção dos vários elementos que compoem a performance- corpo, espaço cénico, indumentária, luz, vídeo, tendo como base de pesquisa, a apropriação e a ressignificação do trabalho de artistas como Michael Borremans, Goya, Lorenzo Lotto Nguyen Thai Tuan , Ad Reinhadt,  Lorenzo Lotto,  entre outros.