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I N I C I A Ç Ã O

TCHARAAAM! Um espetáculo para toda a gente e para ninguém
de Miguel Pereira
Cocriação
ASTA – Teatro e Outras Artes | Ballet Contemporâneo do Norte | O Rumo do Fumo
Criação e Direção
Miguel Pereira
ESTREIA 1 julho 2026 | Teatro Municipal da Covilhã
Ladys and gentlemen, senhoras e senhores, bem-vindas, benvenuto e benvindes ao espectáculo internacional for everybody and for nobody! Eine show fur alle und fur niemanden! Trazemos Nietzsche com palhaças bufonas, equilibristas funambulescas, risos, leões, gases, fatos coloridos, escarpins, guests e divertissements, apitos, odisseias no espaço, leões, cordas invisíveis, música e números de magia! E trazemos também uma mão cheia de nada, nichts, nichts, Widerstandsfähigkeit e Zarathustra!
“A existência humana é lúgubre e continua a não ter sentido: um palhaço pode ser-lhe fatal”
in Nietzsche, Assim falava Zaratustra
Partimos do conceito “Übermensch” (Super-Homem/Super-Mulher) de Nietzsche para pensar, investigar e questionar os limites e as interpretações da nossa condição humana, do que somos, do que nos constitui, para lá do género, da idade, da etnia ou de outros factores diferenciadores, num momento de transformação e transcendência acelerada da nossa existência.

FICHA ARTÍSTICA E TÉCNICA
Criação e Direção: Miguel Pereira
Co-criação e Interpretação: Carmo Teixeira e Filipa Duarte
Desenho de Luz: Pedro Abreu
Sonoplastia e Criação Musical: Francisco Correia
Apoio à interpretação filosófica: André Barata
Figurinos: espólio da ASTA / Sérgio Novo
Produção Executiva: Sérgio Novo (ASTA), Liliana Claro (BCN), Patrícia Teixeira (ORdF)
Comunicação: João Albano (ORdF), Carlota Lloret (ORdF)
Gestão: Sérgio Novo/Rui Pires (ASTA), Susana Otero/Liliana Claro (BCN), Daniela Ribeiro (ORdF)
Cocriação: ASTA – Teatro e Outras Artes, BCN – Ballet Contemporâneo do Norte, ORdF - O Rumo do Fumo
Coprodução: Câmara Municipal da Covilhã, Cineteatro António Lamoso / Câmara Municipal de Santa Maria da Feira
Apoio: Teatro Municipal da Covilhã, Câmara Municipal de Santa Maria da Feira
ASTA, BCN e O Rumo do Fumo são estruturas financiadas por Ministério da Cultura / Direção Geral das Artes
CONDIÇÕES CONTRATUAIS
Valor e condições sob consulta.
Friedrich Nietzsche (1844-1900)
Um dos filósofos emblemáticos dos finais século XIX, nasceu em 1844, em Röcken, e morreu em 1900, atacado pela demência, em Weimar. As suas reflexões caracterizam-se por uma violenta crítica aos valores da cultura ocidental.
Com efeito, para Nietzsche, a decadência do Ocidente começou quando o discurso filosófico, depois de Sócrates, veio afastar a síntese que se realizara na tragédia grega, substituindo a harmonia apolíneo/dionisíaco (representando a ambivalência da essência humana, dividida entre a desmesura passional e a medida racional) por um discurso das aparências, enganador e ilusório, que transforma a realidade autêntica em metáforas ocas. Esse processo de
desvitalização encontrará o apogeu com a afirmação da moral judaico-cristã, «moral de escravos», reflexo de uma maquinação hipócrita de indivíduos débeis, ignóbeis e vis numa tentativa de enfraquecer e dominar pela astúcia os valorosos.
A crítica nietzschiana acaba mesmo por abranger os fundamentos da razão, considerando que o erro e o devaneio estão na base dos processos cognitivos e que a fé na ciência, como qualquer fé em verdades absolutas, não passa de uma quimera. Não se limitando, porém, à denúncia de um estado de espírito dominado pela submissão a valores ancestrais, impotentes para criar algo de novo e propagando a obediência e a servidão como princípios supremos, ao
proclamar a «morte de Deus» e a abolição de qualquer tutela, Nietzsche passa ao anúncio de uma nova era centrada na exaltação da vontade de poder, apanágio do homem verdadeiramente livre, o super-homem, que não conhece outros ditames além dos que ele próprio fixa. No entanto, o super-homem não é unicamente dominado pelo egoísmo, cabendo-lhe dirigir a «massa», anónima e ignorante, para um estádio superior em que os valores vitais, a alegria e a espontaneidade permitam a reafirmação do instinto criador da humanidade.
Pensador paradoxal, associa ao super-homem a consciência do eterno retorno, procurando, talvez, exprimir o aspeto cíclico dos movimentos históricos ou a impossibilidade de alguma vez, ser atingido um grau supremo de perfeição no devir do Homem.
Expressando-se de forma aforística e mantendo todas as suas afirmações no limiar da inteligibilidade imediata, Nietzsche foi um filósofo ímpar, tão inovador como polémico: ao exaltar, em detrimento da razão, a faculdade da vontade como núcleo da essência humana e verdadeiro motor do devir e colocando-se numa posição de profundo ceticismo face aos fundamentos da ética e da moral, abalou profundamente os pilares do racionalismo, sendo por isso considerado
como um dos «filósofos da suspeita» (ao lado de Marx e Freud), na esteira da «crise da razão» que marcou profundamente a filosofia no século XX.
Entre as suas obras são de destacar: A Origem da Tragédia (1872), Humano, Demasiado Humano (1878), Aurora (1881), A Gaia Ciência (1882), Assim Falou Zaratustra (1883-85), Para além do Bem e do Mal (1886), A Vontade de Poder (1886, editado em 1906), A Genealogia da Moral (1887), Ecce Homo (1888), O Anticristo (1888).
Miguel Pereira
Frequentou a Escola de Dança do Conservatório Nacional e a Escola Superior de Dança, em Lisboa. Foi bolseiro em Paris (Théâtre Contemporain de la Danse) e em Nova Iorque com uma bolsa do Ministério da Cultura.
Como intérprete trabalhou, entre outros, com Filipa Francisco, Francisco Camacho e Vera Mantero. Participou na peça e no filme “António, Um Rapaz De Lisboa” de Jorge Silva Melo, trabalhou com Jérôme Bel em “Shirtologia (Miguel)” (1997) e foi intérprete em “Les Inconsolés” de Alain Buffard, na remontagem da peça em 2017.
Como criador destaca os trabalhos “Antonio Miguel”, peça com a qual recebeu o Prémio Revelação José Ribeiro da Fonte do Ministério da Cultura e uma menção honrosa do prémio Acarte/Maria Madalena Azeredo Perdigão (2000), “Notas Para Um Espectáculo Invisível” (2001), Data/Local (2002), “Corpo de Baile” (2005), “Karima meets Lisboa meets Miguel meets Cairo”, uma colaboração com a coreógrafa egípcia Karima Mansour (2006), “Doo” (2008), “Antonio e Miguel”, uma nova colaboração com Antonio Tagliarini (2010), “Op. 49” (2012), “WILDE” (2013) uma colaboração com a mala voadora, “Repertório para Cadeiras, Figurinos e Figurantes” (2015) para o Ballet Contemporâneo do Norte, “Peça para Negócio” e “Peça feliz” (2017), “Era um peito só cheio de promessas” (2019), “Falsos Amigos” (2021) em colaboração com Guillem Mont de Palol, e “Miquelina e Miguel” (2022) a partir da relação entre Miguel e a sua mãe, de 87 anos diagnosticada com demência.
Em 2003, 2007 e 2015 criou para o repertório da Transitions Dance Company/Laban Centre as peças “Transitions”, “Transitions II” e “Transitions III” que integraram a tournée nacional e internacional da companhia (2003/2004, 2007/2008 e 2014/2015).
No ano de 2003 foi alvo de uma mini-retrospectiva nas Caldas da Rainha, integrada no ciclo “Mapas” organizado pela Transforma-AC em colaboração com a ESTGAD.
O seu trabalho tem sido apresentado em toda a Europa, Brasil, Uruguai e Chile, e é professor convidado em diferentes estruturas nacionais e internacionais. Desde 2000, convidado por Vera Mantero, é artista associado da estrutura O Rumo do Fumo.
ASTA
A ASTA – Teatro e Outras Artes, foi fundada em 2000. A sua identidade está assente numa cultura transdisciplinar, que tem por base o teatro. Desde a sua origem procuramos a originalidade e a diferença, numa constante procura de novos métodos e linguagens, seja reinventando clássicos ou criando a partir do espaço vazio. O seu trabalho é bastante diversificado, centrando-se em cinco eixos principais: Criações; Festivais/Programação; Circulação; Serviço Educativo e Projetos de Investigação.
Ballet Contemporâneo do Norte
A atividade do BCN (1995-) organiza-se em torno de vários eixos interconectados: criação, produção e difusão de trabalhos coreográficos; desenvolvimento da sensibilidade e pensamento crítico das populações (Serviço Educativo); contribuição para a qualificação e coesão social (projetos comunitários); descentralização; formação de novos artistas; inovação e experimentação. O objetivo central é efetivar a sua atividade no campo da produção, promoção e educação no campo das artes performativas, em especial na criação coreográfica, segundo princípios de equidade, correção, rigor e clareza. Simultaneamente, convocar práticas artísticas emergentes da responsabilidade de agentes laboral e financeiramente mais frágeis, apostando na criação contemporânea experimental e em criadores com percursos artísticos distintos. Ambiciona-se a exploração de colaborações estratégicas para a criação de projetos de dinâmica participativa, refletindo sobre a natureza intrínseca da noção de companhia, e antevendo formalizações metodológicas e organizativas que exploram abordagens experimentais ao trabalho em equipa.
O RUMO DO FUMO
Fundado em 1999 por Vera Mantero e apoiado desde então pelo Ministério da Cultura, O Rumo do Fumo é uma estrutura de criação, produção, difusão nacional e internacional, investigação, formação e programação, na área da dança contemporânea, que se posiciona num território artístico de carácter experimental e de pesquisa. Território que é também de alargamento do campo da própria dança e dos seus horizontes, caracterizando-se pela transversalidade das disciplinas artísticas e cruzamento de dança, música, teatro, literatura/poesia, artes plásticas e cinema.
