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dia #2

quarta 09.09.2026

10h30-12h30

blackbox

hANDling

Ana Dinger

workshop mediação / composição

Ana Dinger - MO_AND still webserie - foto Patrícia Araújo 3.jpg

hANDling é uma das linhas do programa anual do AND Lab chamado Escola do Reparar e esta sessão insere-se na sua versão nómada. As sessões hANDLING focam-se na dimensão (trans)formativa e de partilha do Modo Operativo AND (MO_AND) enquanto ferramenta de mediação e composição. O nome hANDling convoca a mancha semântica do verbo "to handle" de duas formas: por um lado, sinaliza o compromisso do MO_AND com uma ética de manuseamento (contrastante com a lógica de manipulação); por outro, ativando o sentido-significado de "entrega", remete para a “oferta” das ferramentas do MO_AND a quem participa. Através da frequentação e prática, e considerando a sua autonomia e singularidade, cada participante pode incorporar estas ferramentas de aplicabilidade transversal, podendo dar-lhes uso noutras situações.

A transmissão do MO_AND apoia-se na ativação de um (contra)dispositivo do jogo. Este jogo, não-competitivo e de regras imanentes, assenta na delimitação provisória de uma zona de atenção coletiva, funcionando como simulador de acidentes e como propiciador da consciencialização da simultaneidade dentro-fora. O recurso ao recorte – o tabuleiro de jogo, que, frequentemente, assume a forma de um quadrado desenhado com fita crepe no chão – permite a instalação de “mundos dentro do mundo” e a exploração de diferentes escalas de menorização/maximização do (in)visível e de redução/ampliação do espaço e do tempo, estimulando o desenvolvimento de uma sensibilidade fractal, atenta e minuciosa às modulações relacionais da reciprocidade e da suficiência.

Ana Dinger dedica-se à investigação, artística e académica, atravessando ou combinando disciplinas. Estudou na Escola Secundária Soares dos Reis e na FBAUP, obtendo, pela FBAUL, em 2008, o grau de licenciatura em Artes Plásticas-Escultura. Frequentou o Ginasiano, o Balleteatro, o Centro de Dança do Porto, o Curso de Pesquisa e Criação Coreográfica do Forum Dança (2003) e o bacharelato da ESD (2003-04). Completou pós-graduação em Arte Contemporânea, na UCP, em 2011, onde é doutoranda em Estudos de Cultura. Tem iniciado e/ou colaborado com vários projetos de programação/curadoria, investigação, criação e experimentação artísticas: AND Lab (desde 2015), Para uma Timeline a Haver: genealogias da dança como prática artística em Portugal (2019-2025), Es.Col.Az (desde 2021), Assembleia Ordinária (2021-2024) e O que é feito de si, Margarida de Abreu? (desde 2022). Da colaboração com a Timeline releva co-curadoria, com Ana Bigotte Vieira, João dos Santos Martins e Carlos Manuel Oliveira, da 7ª edição — dança não dança: arqueologias da nova dança em Portugal (2023-2025) — que comportou um ciclo de (re)performances, filmes e conversas, uma exposição patente na Fundação Calouste Gulbenkian e um livro-catálogo, do qual é coeditora e coordenadora editorial. O trabalho editorial — conceptualização, coordenação e edição — ocupa-a cada vez mais, destacando: Caixa-livro AND (2019) e Modus Operandi AND: The Handbook (2024); Labirinto (2025), de David Marques; livro-arquivo dos encontros do grupo de investigação d’O RUMO DO FUMO (2021-2024); e, a convite do Ballet Contemporâneo do Norte, a autoria dos primeiros volumes de uma série de publicações, a primeira sobre Elisa Worm e a segunda sobre Pirmin Treku.

14h30

praça

Apresentação de publicações

- sessão 2

Joclécio Azevedo

Andresa Soares

Rogério Nuno Costa

Jordann Santos

Ana Dinger

Partilha

No segundo momento de apresentação de publicações editoriais com autoria ou participação dos/as envolvidos/as no Encontro, recebemos Joclécio Azevedo (14h30), Andresa Soares (15h30), Rogério Nuno Costa (16h30, Jordann Santos (17h30) e Ana Dinger (18h30).

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Joclécio Azevedo, Brasil, 1969. Vive no Porto desde 1990. O seu trabalho articula escrita e coreografia, operando entre gesto, matéria e dispositivos ficcionais. Diretor artístico do Núcleo de Experimentação Coreográfica entre 2006 e 2011. Integrou a direção plenária da GDA/Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas) de 2008 a 2023 e foi membro do Conselho de Curadores da Fundação GDA entre 2010 e 2017. Artista residente da Circular Associação Cultural desde 2012, tendo também coordenado o programa educativo da associação entre 2018 e 2023. Formou-se em Teatro no Balleteatro em 1993, integrando posteriormente a sua companhia de dança em diversas criações. Como intérprete e coreógrafo colaborou em produções do BCN – Ballet Contemporâneo do Norte (2012 – 2021). Colaborou com diversos programas de formação artística como o FAICC – Formação Avançada em Interpretação e Criação Coreográfica, da Companhia Instável, a Oficina ZERO ou o Balleteatro Escola Profissional. Em 2016 foi assistente convidado no Curso de Especialização em Performance na FBAUP. Entre 2016 e 2018, integrou o grupo Sintoma – Performance, Investigação e Experimentação, orientado por Rita Castro Neves e desenvolvido pelo i2ADS na FBAUP. É autor, coautor ou colaborador em publicações no campo das artes performativas, entre as quais: Cuidados Intensivos (2013), Intermitências (2016), Documentário (2018), ARK Porto – Escola dos Confins e de Nenhures (2012, com Inês Moreira), Modos de Usar (2022), Microcidades (2026). Atualmente desenvolve um doutoramento em Arte Contemporânea no Colégio das Artes, Universidade de Coimbra, com bolsa da FCT.

Andresa Soares.. Coreógrafa, performer e dramaturga. A sua formação dividiu-se entre as artes plásticas e a dança e, desde cedo, iniciou a sua atividade como criadora nas artes performativas tendo até então realizado mais de 20 criações. O seu trabalho cruza várias áreas artísticas procurando atravessar livremente o uso da palavra, do movimento, da imagem, do som, da presença do público ou a consciente anulação de uma destas partes, utilizando o constrangimento como a demanda que a formulação do projeto motiva. Como performer/intérprete trabalhou em dança, teatro e cinema com José Laginha, Luís Castro, Nuno M. Cardoso, Ricardo Aibéo, Michel Simonot, Vera Mantero, Maria Ramos, Vanessa Garcia, Bruna Carvalho, BLITZ – Theatre Group, Patrick Mendes, Pierre Coulibeuf, Emily Wardil, Catarina Mourão, entre outros. Em 2002 fundou a Máquina Agradável que co-dirigiu com Lígia Soares até 2014. Atualmente integra o colectivo Apneia Colectiva.https://andresasoares.wixsite.com/andresa-soares

Rogério Nuno Costa (1978). Artista pós-disciplinar, escritor, investigador, pedagogo e curador. Vive e trabalha entre a Finlândia e Portugal, desenvolvendo trabalho para-artístico e documental de natureza híbrida e anti-objectual, com um interesse especial na criação de acontecimentos performativos que entrelaçam convivialidade, afiliação e especulação. A sua prática explora e problematiza os campos das artes performativas e da literatura nas suas interseções com a filosofia, a teoria de arte, a cultura pop e as ciências sociais e da comunicação. Trabalha com vários artistas na condição de performer, co-criador, dramaturgo e coordenador editorial. Colaborador assíduo das companhias Estrutura, Teatro Praga e Ballet Contemporâneo do Norte. Fez curadoria para diversos projectos artísticos e educacionais. Tem dado formação em escolas artísticas independentes e leccionado em instituições académicas como a Escola Superior de Artes e Design (Caldas da Rainha), a ArtEZ University of the Arts (Arnhem) e a Universidade do Minho (Guimarães). Membro colaborador do Núcleo de Investigação em Estudos Performativos (CEHUM) e investigador independente no Spaces of Artist Education (Society of Artistic Research). Desenvolve trabalho de escrita ensaística-performativa em publicações de autor e em colaboração com diversos projectos editoriais. Desde 1999, o seu trabalho tem sido apresentado, produzido, co-produzido e/ou apoiado por várias estruturas, festivais, instituições culturais e centros de investigação em Portugal, Finlândia, França, Reino Unido, Bélgica, Países Baixos, Alemanha, Itália, Croácia, Roménia, Lituânia, Letónia, Suécia, Canadá, Estados Unidos e Brasil. Artista Associado d'O Espaço do Tempo (PT) e membro do Globe Art Point (FI). Integrou recentemente o projecto europeu STAGES (Sustainable Theatre Alliance for a Green Environmental Shift) a convite do Teatro Nacional D. Maria II. www.rogerionunocosta.com

Jordann Santos nasceu em 1983, em Paris. Em 2002, concluiu o Art Foundation em Suffolk, no Reino Unido, tendo posteriormente frequentado os cursos de Fashion Design na Brighton Fashion School e Design de Moda no Citex, no Porto. Apresentou as suas coleções como criador independente na semana de moda Portugal Fashion de 2008 a 2012. De 2011 a 2020 foi professor no Grupo GUDI/Escola de Moda do Porto, integrando a equipa técnica dos cursos de design de moda, modelação e coordenação de moda. De 2017 a 2020 assumiu os cargos de Coordenador do curso de Coordenação e Produção de Moda, posteriormente de Coordenador do curso de Design de Moda da Gudi. Desde 2013 colabora em paralelo como docente na Escola Profissional Balleteatro. Em 2018 iniciou projeto de 8 anos com a ERASMUS+ Mobilty sendo convidado anualmente a dar formação em escolas belgas enquanto especialista nas áreas de Design de Moda e de Figurinos. Desde 2012 que colabora como figurinista em espetáculos de vários criadores de dança e teatro destacando Joclécio Azevedo, André Mendes, Rogério Nuno Costa, Filipe Caldeira, Né Barros, Renata Portas, Xana Novais, Susana Otero, Joana Castro, Isabel Costa, Miguel Pereira, Cátia Pinheiro, José Nunes, Filipa Caldeira, Pedro Ramos e as Marionetas Mandrágora. Em 2022, concluiu o Mestrado em Artes Cénicas com especialização em figurinos na ESMAE, no Porto. Desde Setembro 2022 colabora enquanto professor convidado na ESMAE.

Ana Dinger dedica-se à investigação, artística e académica, atravessando ou combinando disciplinas. Estudou na Escola Secundária Soares dos Reis e na FBAUP, obtendo, pela FBAUL, em 2008, o grau de licenciatura em Artes Plásticas-Escultura. Frequentou o Ginasiano, o Balleteatro, o Centro de Dança do Porto, o Curso de Pesquisa e Criação Coreográfica do Forum Dança (2003) e o bacharelato da ESD (2003-04). Completou pós-graduação em Arte Contemporânea, na UCP, em 2011, onde é doutoranda em Estudos de Cultura. Tem iniciado e/ou colaborado com vários projetos de programação/curadoria, investigação, criação e experimentação artísticas: AND Lab (desde 2015), Para uma Timeline a Haver: genealogias da dança como prática artística em Portugal (2019-2025), Es.Col.Az (desde 2021), Assembleia Ordinária (2021-2024) e O que é feito de si, Margarida de Abreu? (desde 2022). Da colaboração com a Timeline releva co-curadoria, com Ana Bigotte Vieira, João dos Santos Martins e Carlos Manuel Oliveira, da 7ª edição — dança não dança: arqueologias da nova dança em Portugal (2023-2025) — que comportou um ciclo de (re)performances, filmes e conversas, uma exposição patente na Fundação Calouste Gulbenkian e um livro-catálogo, do qual é coeditora e coordenadora editorial. O trabalho editorial — conceptualização, coordenação e edição — ocupa-a cada vez mais, destacando: Caixa-livro AND (2019) e Modus Operandi AND: The Handbook (2024); Labirinto (2025), de David Marques; livro-arquivo dos encontros do grupo de investigação d’O RUMO DO FUMO (2021-2024); e, a convite do Ballet Contemporâneo do Norte, a autoria dos primeiros volumes de uma série de publicações, a primeira sobre Elisa Worm e a segunda sobre Pirmin Treku.

19h30-20h30

online

Terapia da cor

Catarina Real

Consulta individual online 2 de 5

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A Terapia da Cor é um projecto-processo-prática experimental de escrita, artepostal e desenho, que faz uso da ideia de pintura expandida e pintura performativa, em conexão com o campo dos estudos afectivos e das práticas de cuidado, para desenvolver experiências terapêuticas. Parte de um domínio experimental de investigação artística que aproxima os gestos artísticos de gestos de ressensibilização do mundo, impactando o domínio sensorial e inferindo na dinâmica psico-emocional do espectador-participante-leitor que com eles se relaciona. Este projecto assenta na certeza de que poderá possibilitar espaços de encontro e diálogo para que os temas de aceleração e desumanização contemporânea possam ser discutidos e expostos interdisciplinarmente, e que a crescente procura por cuidados de saúde complementares possa ser pensada criticamente, consequência de uma sociedade que tenta esconder o esgotamento generalizado por falta de políticas públicas que sirvam os cidadãos e cidadãs. Assenta também na certeza de que a ludicidade e a brincadeira são uma ferramenta útil e necessária para a manutenção do prazer na vida. É um projecto de afirmação de uma prática em que os objectos são uma aparição colateral, e em que o que está realmente a ser trabalhado são as conexões afectivas e as dinâmicas vivas. 

Natural de Barcelos, Catarina Real (1992-) é licenciada em Artes Plásticas – Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Durante a licenciatura criou uma aversão a palavras como disciplina, arte e artista. Como estratégia de manutenção de alguma sanidade, canalizou o nojo para a ressignificação das palavras e a revolta para a reordenação das gramáticas. Estima palavras como periclitante e inútil. Tem vindo a usar interstícios, afectos e relações como principal matéria de construção artística. Estas matérias têm vindo a dirigir o fazer e o aparecer, dirigindo-a às mais diversas áreas de conhecimento de forma a melhor reformular a questão que a acompanha desde circa 2013: como…? É crente na ética e potência de práticas processuais e acredita que toda a criação é colectiva. É praticante de arte postal. É mestre em Ciências da Comunicação – Comunicação e Artes pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde apresentou uma dissertação dedicada a Maria Gabriela Llansol.
Alimenta o universo da edição independente através do seu trabalho em Edições da Ruína. Com as Edições da Ruína participa regularmente em feiras do livro, feiras gráficas e feiras de edição independente, nacional e internacionalmente, em países como Espanha, Croácia e Estados Unidos. É, desde 2019, vice-presidente da associação francesa Artistes en Résidence, que se dedica à manutenção de tempo e espaço para a criação artística sem contrapartidas produtivas. Mantém uma prática de comentário – nas vertentes de textos de reflexão, textos introdutórios a exposições, entrevistas e moderação de conversas – às obras e processos realizados pelos artistas na sua faixa geracional, com a intenção de contribuir para um ambiente salutar de crítica e criação comunitária.
Apresentou publicamente o seu trabalho em instituições tais como Teatro Municipal do Campo Alegre, Galeria Municipal do Porto, Museu Amadeo de Souza-Cardoso, etc.; espaços independentes tais como Rua do Sol, Plataforma Revólver, Campanice, Graciosa, Laboratório das Artes, Sol Pele, etc.; e galerias como Kubik Gallery, Galeria Madragoa, No.no Gallery e Galeria Graça Brandão.

21h30

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40'

M/6

Entre o gesto e o vestígio (uma investigação performativa sobre corpo, imagem e memória)

Lara Pires

Conferência performativa

LaraPires_EntreGestoVestigio - Lara Pires.jpg

Há um instante em que o corpo sabe antes de explicar. Um movimento começa antes de se tornar palavra, antes de poder ser fixado numa imagem ou guardado num arquivo. É nesse intervalo — entre aquilo que acontece e aquilo que permanece — que se situa Entre o gesto e o vestígio.
Esta proposta performativa parte do gesto como lugar de pensamento: não como ilustração de uma ideia já formada, mas como uma forma de conhecimento que nasce no próprio corpo, no tempo e na relação com o espaço. Através do movimento, da imagem e da presença, a investigação procura observar o que acontece quando um gesto encontra diferentes modos de inscrição — a fotografia, o vídeo, a escrita, a memória.
O que fica de um corpo depois de ele se mover? O que uma imagem revela e o que inevitavelmente deixa escapar? O que acontece quando uma experiência viva se transforma em vestígio?
Entre o gesto que desaparece e a marca que permanece, a performance constrói um espaço de escuta e de experimentação onde corpo e arquivo se encontram. A fotografia e o vídeo não surgem como formas de conservar integralmente o movimento, mas como parceiros de uma investigação sobre as suas transformações: aquilo que se torna visível, aquilo que se desloca e aquilo que continua a resistir à captura.
Desenvolvida no cruzamento entre dança, investigação artística e práticas de documentação, esta proposta não procura reconstruir um gesto perdido, mas acompanhar as suas sobrevivências. O corpo torna-se arquivo em movimento; o vestígio deixa de ser apenas resto e passa a ser possibilidade de continuar a pensar.
Entre o gesto e o vestígio é, assim, um convite a permanecer nesse lugar instável onde o movimento ainda está a acontecer, mesmo depois de já ter passado.

Sou artista, investigadora e docente, residente em Lisboa. Trabalho no cruzamento entre a dança, a performance, a imagem em movimento e a escrita, interessando-me pelos modos como o corpo produz conhecimento antes de o transformar em linguagem. Doutorada em Artes Performativas e da Imagem em Movimento, desenvolvo uma investigação sobre o gesto, a memória e as formas de inscrição do efémero, explorando as relações entre presença, arquivo e vestígio. A minha obra foi apresentada em Portugal, no Brasil e no Japão, articulando criação artística e investigação em torno daquilo que permanece quando o movimento desaparece.

22h30

blackbox

20'

M/6

Movefractal - FRACTAL.1

Dayana Guzmán e Victória Holanda 

Performance 

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FRACTAL é uma criação em dança que investiga o corpo como território de memória, poder e transformação. Liderado por duas artistas latino-americanas radicadas em Portugal, o projeto propõe uma reflexão sobre as construções tradicionais e coloniais do corpo, explorando o movimento e o tecido como dispositivos coreográficos para tornar visíveis relações de interdependência, cuidado e resistência. 

Inspirada no conceito de fractal, a obra revela como padrões de poder se repetem em diferentes escalas das relações, ligando a experiência íntima às dinâmicas coletivas. Através do peso, do contrapeso e da manipulação de tecidos, a performance constrói uma linguagem visual e sensorial que questiona estruturas autoritárias e propõe uma ética relacional baseada na colaboração e na imaginação de outras formas de convivência.

Para o RE=iniciar - III Encontro de Artes Performativas propomos FRACTAL.1, a primeira parte da peça que consiste em um dueto.

Dayana Guzmán é bailarina, performer e fundadora do AfroAveiro, iniciativa dedicada à partilha de ritmos da África Ocidental e das culturas afro-diaspóricas. O seu percurso articula criação artística, pedagogia comunitária e transmissão cultural através do movimento, explorando temas como memória, identidade e pertença. A sua abordagem combina performance, workshops e práticas coletivas que aproximam a dança de contextos sociais e interculturais.

 

Victória Holanda é bailarina, coreógrafa e professora de ballet clássico e dança contemporânea. A sua investigação centra-se nas metodologias de criação e pedagogia do movimento, desenvolvendo processos de improvisação, composição coreográfica e criação colaborativa que entendem a dança como uma prática de investigação, educação e transformação coletiva. A colaboração entre ambas nasceu no coletivo Mulheres, Poesia e Tambor, onde partilham uma visão comum sobre comunidade, inclusão e criação colaborativa. A partir dessa experiência, identificaram afinidades artísticas e políticas em torno do feminismo interseccional, da participação comunitária e da construção de redes de cuidado através da arte.

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