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dia #4

sexta 11.09.2026

10h00-13h00

blackbox

M/16

Escrever como quem tropeça

em público - sessão 2

Joclécio Azevedo

workshop de escrita

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Neste workshop, a escrita será trabalhada como um processo aberto e intermitente, algo que nos faz permanecer junto daquilo que ainda não sabemos formular.

Serão experimentadas formas de acolher contradições e acidentes, aproximando a escrita do ruído e da distorção. A partir de exercícios práticos e colaborativos a proposta é praticar modos de escrever em relação, incorporando a leitura, apresentação e discussão como partes do mesmo processo.

Partilhar fragmentos de texto será uma forma de expor a escrita ao risco da circulação, de escutá-la noutras vozes e de deixá-la ser atravessada por outras leituras.

Os momentos de discussão permitirão pensar coletivamente que corpos a escrita convoca e que formas de trabalho torna visíveis ou invisíveis. 

Workshop dirigido a artistas, estudantes e pessoas interessadas em práticas experimentais de escrita, com ou sem experiência prévia. 

Este workshop acontecerá em duas sessões, nos dias 10 e 11 de setembro, entre as 10h00 e as 13h00.

Brasil, 1969. Vive no Porto desde 1990. O seu trabalho articula escrita e coreografia, operando entre gesto, matéria e dispositivos ficcionais. Diretor artístico do Núcleo de Experimentação Coreográfica entre 2006 e 2011. Integrou a direção plenária da GDA/Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas) de 2008 a 2023 e foi membro do Conselho de Curadores da Fundação GDA entre 2010 e 2017. Artista residente da Circular Associação Cultural desde 2012, tendo também coordenado o programa educativo da associação entre 2018 e 2023. Formou-se em Teatro no Balleteatro em 1993, integrando posteriormente a sua companhia de dança em diversas criações. Como intérprete e coreógrafo colaborou em produções do BCN – Ballet Contemporâneo do Norte (2012 – 2021). Colaborou com diversos programas de formação artística como o FAICC – Formação Avançada em Interpretação e Criação Coreográfica, da Companhia Instável, a Oficina ZERO ou o Balleteatro Escola Profissional. Em 2016 foi assistente convidado no Curso de Especialização em Performance na FBAUP. Entre 2016 e 2018, integrou o grupo Sintoma – Performance, Investigação e Experimentação, orientado por Rita Castro Neves e desenvolvido pelo i2ADS na FBAUP. É autor, coautor ou colaborador em publicações no campo das artes performativas, entre as quais: Cuidados Intensivos (2013), Intermitências (2016), Documentário (2018), ARK Porto – Escola dos Confins e de Nenhures (2012, com Inês Moreira), Modos de Usar (2022), Microcidades (2026). Atualmente desenvolve um doutoramento em Arte Contemporânea no Colégio das Artes, Universidade de Coimbra, com bolsa da FCT.

14h30

praça central

10' + 25'

M/6

Papel - Entre o que nos nomeia

e o que escolhemos ser

Rita Ferreira

Performance + laboratório

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PAPEL investiga o nome enquanto um espaço de negociação contínua entre subjetividade, relação e norma, uma estrutura instável de identidade, onde múltiplas formas de existência coexistem e se transformam em função dos contextos em que são convocadas. Estas variações não são apenas conceptuais, mas também corporais e sonoras. Através de um conjunto de práticas que incluem movimento e diálogo, pretende-se explorar de que forma o nome pode alterar como o corpo se organiza, responde e se apresenta no espaço, ativando diferentes estados de presença e reconhecimento. 
Utilizando diversas linguagens físicas abre-se espaço para a pesquisa, experimentação e reflexão acerca de identidade, nomeação e pertença, evidenciando a complexidade e multiplicidade de versões de um mesmo sujeito, atravessado por contextos pessoais, profissionais e institucionais. 
Este laboratório surge como uma forma de partilha do processo criativo utilizado até ao momento para construir “PAPEL” e um contributo para uma pesquisa mais ampla, que pretende acumular diferentes experiências relacionadas com a identidade e a forma como esta se constrói através da repetição de atos e normas sociais para dar continuidade a este projeto ainda não finalizado. 

Rita Ferreira, 27 anos, Porto, artista e médica em constante procura do diálogo e equilíbrio entre estes dois universos. Iniciou a sua formação em dança no Ballet Clássico aos 3 anos seguindo o método RAD, sendo que atualmente foca o seu trabalho na dança contemporânea. Concluiu o Mestrado Integrado em Medicina pela UNL em 2023. Foi Campeã Nacional em Ginástica de Trampolins. Concluiu os cursos FAÍCC (2025) e Oficina Zero (2026), tendo colaborado com vários artistas nacionais e internacionais e, interpretado e co-criado diversas peças. Recentemente estagiou em “Lowlands” de Hélder Seabra e “Barro, Terra Molhada Onde a Bota Escorrega” de Mafalda Deville.
Enquanto artista, interessa-se pela interpretação e envolvimento no processo criativo como um todo; procura a exploração da escuta interna e sua expressão corporal; questiona a relação entre o seu conhecimento científico e anatómico e a sua linguagem artística; valoriza o encontro e a partilha com o coletivo; e tem um forte interesse em práticas acrobáticas e fisicalidades intensas que explorem os limites do corpo humano. 

16h45

nave central

50'

M/12

Just saying - em processo

Andresa Soares

Performance / partilha de processo

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Em Just Saying assumo a percepção de que a acção, sobre a vida, o tempo, o mundo... se encontra desfasada da hábil consciência e convicção opinativa sobre o estado e a razão das coisas. É talvez algo que há muito tomámos como factual mas que, na difícil desconstrução da realidade, raramente atinge a nossa sensibilidade conformada.
Vamos então vivendo na demissão. Exilados do sentido. Estrangeiros da nossa própria incoerência.


Pede-se ao público que queira assistir à performance que leve consigo um objecto qualquer (mesmo qualquer) como contribuição para o desenvolvimento da mesma.

Um objecto a nível de doação e que seja sacrificável.

Obrigada.


Pesquisa e performance: Andresa Soares
Colaboração: Gonçalo Alegria, Joana Levi, João Ferro Martins, Márcia Lança e Miguel Cardoso

Coreógrafa, performer e dramaturga. A sua formação dividiu-se entre as artes plásticas e a dança e, desde cedo, iniciou a sua atividade como criadora nas artes performativas tendo até então realizado mais de 20 criações. O seu trabalho cruza várias áreas artísticas procurando atravessar livremente o uso da palavra, do movimento, da imagem, do som, da presença do público ou a consciente anulação de uma destas partes, utilizando o constrangimento como a demanda que a formulação do projeto motiva. Como performer/intérprete trabalhou em dança, teatro e cinema com José Laginha, Luís Castro, Nuno M. Cardoso, Ricardo Aibéo, Michel Simonot, Vera Mantero, Maria Ramos, Vanessa Garcia, Bruna Carvalho, BLITZ – Theatre Group, Patrick Mendes, Pierre Coulibeuf, Emily Wardil, Catarina Mourão, entre outros. Em 2002 fundou a Máquina Agradável que co-dirigiu com Lígia Soares até 2014. Atualmente integra o colectivo Apneia Colectiva.
https://andresasoares.wixsite.com/andresa-soares

17h-18h

online

Terapia da cor

Catarina Real

Consulta individual online 4 de 5

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A Terapia da Cor é um projecto-processo-prática experimental de escrita, artepostal e desenho, que faz uso da ideia de pintura expandida e pintura performativa, em conexão com o campo dos estudos afectivos e das práticas de cuidado, para desenvolver experiências terapêuticas. Parte de um domínio experimental de investigação artística que aproxima os gestos artísticos de gestos de ressensibilização do mundo, impactando o domínio sensorial e inferindo na dinâmica psico-emocional do espectador-participante-leitor que com eles se relaciona. Este projecto assenta na certeza de que poderá possibilitar espaços de encontro e diálogo para que os temas de aceleração e desumanização contemporânea possam ser discutidos e expostos interdisciplinarmente, e que a crescente procura por cuidados de saúde complementares possa ser pensada criticamente, consequência de uma sociedade que tenta esconder o esgotamento generalizado por falta de políticas públicas que sirvam os cidadãos e cidadãs. Assenta também na certeza de que a ludicidade e a brincadeira são uma ferramenta útil e necessária para a manutenção do prazer na vida. É um projecto de afirmação de uma prática em que os objectos são uma aparição colateral, e em que o que está realmente a ser trabalhado são as conexões afectivas e as dinâmicas vivas. 

Natural de Barcelos, Catarina Real (1992-) é licenciada em Artes Plásticas – Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Durante a licenciatura criou uma aversão a palavras como disciplina, arte e artista. Como estratégia de manutenção de alguma sanidade, canalizou o nojo para a ressignificação das palavras e a revolta para a reordenação das gramáticas. Estima palavras como periclitante e inútil. Tem vindo a usar interstícios, afectos e relações como principal matéria de construção artística. Estas matérias têm vindo a dirigir o fazer e o aparecer, dirigindo-a às mais diversas áreas de conhecimento de forma a melhor reformular a questão que a acompanha desde circa 2013: como…? É crente na ética e potência de práticas processuais e acredita que toda a criação é colectiva. É praticante de arte postal. É mestre em Ciências da Comunicação – Comunicação e Artes pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde apresentou uma dissertação dedicada a Maria Gabriela Llansol.
Alimenta o universo da edição independente através do seu trabalho em Edições da Ruína. Com as Edições da Ruína participa regularmente em feiras do livro, feiras gráficas e feiras de edição independente, nacional e internacionalmente, em países como Espanha, Croácia e Estados Unidos. É, desde 2019, vice-presidente da associação francesa Artistes en Résidence, que se dedica à manutenção de tempo e espaço para a criação artística sem contrapartidas produtivas. Mantém uma prática de comentário – nas vertentes de textos de reflexão, textos introdutórios a exposições, entrevistas e moderação de conversas – às obras e processos realizados pelos artistas na sua faixa geracional, com a intenção de contribuir para um ambiente salutar de crítica e criação comunitária.
Apresentou publicamente o seu trabalho em instituições tais como Teatro Municipal do Campo Alegre, Galeria Municipal do Porto, Museu Amadeo de Souza-Cardoso, etc.; espaços independentes tais como Rua do Sol, Plataforma Revólver, Campanice, Graciosa, Laboratório das Artes, Sol Pele, etc.; e galerias como Kubik Gallery, Galeria Madragoa, No.no Gallery e Galeria Graça Brandão.

18h00

nave central

Encontrar ou Falhar -

Pensar na era da Inteligência Artificial

Tomás Magalhães Carneiro - Clube Filosófico do Porto

Palestra / diálogo aberto

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Num tempo em que a inteligência artificial parece responder a tudo cada vez mais depressa, a questão que nos deve preocupar decisiva já não é como obter respostas?, mas como voltar a pensar? ou, por outras palavras, como encontrar o tempo e o espaço de volta ao nosso pensar original?

O Clube Filosófico do Porto propõe um diálogo que parta da ideia de que pensar não é produzir opiniões nem acumular informação mas sim um modo humano de habitar no mundo. 

Inspirados pela imagem de Martin Heidegger da "casa do ser", propomos um encontro onde pensar se torna um regresso a casa — um lugar onde nos reencontramos connosco, com os outros e com aquilo que merece ser interrogado e pensado.

Numa encruzilhada civilizacional como aquela em que nos encontramos, em que novas formas de pensamento artificial ameaçam colonizar todo o espaço em que habitamos, a nossa casa, talvez este encontro com o pensar original, com a nossa verdadeira casa, seja a nossa única esperança para não falharmos: ou encontro ou falho.

Orador: Tomás Magalhães Carneiro - Clube Filosófico do Porto

21h30

blackbox

120'

M/12

Condomínio  

Rogério Nuno Costa

Performance

Após a estreia em modo espectáculo (Teatro Nacional D. Maria II, 2025), "Itinerário: geologia de um regresso a casa" continua este ano e até ao final de 2028 na forma de plataforma de investigação, indagação e inventariação de modos e procedimentos de criação sensíveis às ideias de mobilidade e relacionalidade radicais. O exercício basilar mantém-se: revisitar "Vou A Tua Casa", trilogia de performances para espaços domésticos de Rogério Nuno Costa (2003-2006), e o seu doppelgänger "Condomínio" (2023-2026), série de encontros-enquanto-performance de natureza retrospectiva e pós-nostálgica. Este novo andamento propõe um exercício impermanente e circular de reactivação dessas duas operações, só que num tempo fora do tempo e em espaços que (já) não são casas. Noções como as de refúgio, exílio, perdição, mas também invasão, imersão e suspensão, obsessivamente trabalhadas em "Vou A Tua Casa" e reconstruídas em "Condomínio", serão agora re-mapeadas e re-analisadas à luz de urgências e agências novas, especulando-se a possibilidade da sua actualidade e da sua continuidade, mas também da sua eventual expiração. Um percurso e o seu negativo, quiçá o fim. Ancorado numa reflexão simultaneamente crítica e alegórica das relações e fricções entre teatro, lugar e ubiquidade, "Itinerário" propõe a partilha de um espaço laboratorial-convivial onde o exercício da hospitalidade e da mutualidade possa ser construído colectivamente enquanto condomínio: co-presença, afiliação e cooperação, mas também silêncio, descanso e contemplação. Um regresso a casa a corresponder, em espelho e em desaceleração de partículas, a um regresso ao futuro.

Colaboração: Daniela Morganiça, José Gregório Rojas e Mafalda Banquart

01_Itinerary_geology of a homecoming © Alípio Padilha (2025) - Rogério Nuno Costa_edited.j

Rogério Nuno Costa (1978). Artista pós-disciplinar, escritor, investigador, pedagogo e curador. Vive e trabalha entre a Finlândia e Portugal, desenvolvendo trabalho para-artístico e documental de natureza híbrida e anti-objectual, com um interesse especial na criação de acontecimentos performativos que entrelaçam convivialidade, afiliação e especulação. A sua prática explora e problematiza os campos das artes performativas e da literatura nas suas interseções com a filosofia, a teoria de arte, a cultura pop e as ciências sociais e da comunicação. Trabalha com vários artistas na condição de performer, co-criador, dramaturgo e coordenador editorial. Colaborador assíduo das companhias Estrutura, Teatro Praga e Ballet Contemporâneo do Norte. Fez curadoria para diversos projectos artísticos e educacionais. Tem dado formação em escolas artísticas independentes e leccionado em instituições académicas como a Escola Superior de Artes e Design (Caldas da Rainha), a ArtEZ University of the Arts (Arnhem) e a Universidade do Minho (Guimarães). Membro colaborador do Núcleo de Investigação em Estudos Performativos (CEHUM) e investigador independente no Spaces of Artist Education (Society of Artistic Research). Desenvolve trabalho de escrita ensaística-performativa em publicações de autor e em colaboração com diversos projectos editoriais. Desde 1999, o seu trabalho tem sido apresentado, produzido, co-produzido e/ou apoiado por várias estruturas, festivais, instituições culturais e centros de investigação em Portugal, Finlândia, França, Reino Unido, Bélgica, Países Baixos, Alemanha, Itália, Croácia, Roménia, Lituânia, Letónia, Suécia, Canadá, Estados Unidos e Brasil. Artista Associado d'O Espaço do Tempo (PT) e membro do Globe Art Point (FI). Integrou recentemente o projecto europeu STAGES (Sustainable Theatre Alliance for a Green Environmental Shift) a convite do Teatro Nacional D. Maria II. www.rogerionunocosta.com

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