

dia #3
quinta 10.09.2026
10h00-13h00
blackbox
ICC
M/16
Escrever como quem tropeça
em público - sessão 1
Joclécio Azevedo
workshop de escrita

Neste workshop, a escrita será trabalhada como um processo aberto e intermitente, algo que nos faz permanecer junto daquilo que ainda não sabemos formular.
Serão experimentadas formas de acolher contradições e acidentes, aproximando a escrita do ruído e da distorção. A partir de exercícios práticos e colaborativos a proposta é praticar modos de escrever em relação, incorporando a leitura, apresentação e discussão como partes do mesmo processo.
Partilhar fragmentos de texto será uma forma de expor a escrita ao risco da circulação, de escutá-la noutras vozes e de deixá-la ser atravessada por outras leituras.
Os momentos de discussão permitirão pensar coletivamente que corpos a escrita convoca e que formas de trabalho torna visíveis ou invisíveis.
Workshop dirigido a artistas, estudantes e pessoas interessadas em práticas experimentais de escrita, com ou sem experiência prévia.
Este workshop acontecerá em duas sessões, nos dias 10 e 11 de setembro, entre as 10h00 e as 13h00.
Brasil, 1969. Vive no Porto desde 1990. O seu trabalho articula escrita e coreografia, operando entre gesto, matéria e dispositivos ficcionais. Diretor artístico do Núcleo de Experimentação Coreográfica entre 2006 e 2011. Integrou a direção plenária da GDA/Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas) de 2008 a 2023 e foi membro do Conselho de Curadores da Fundação GDA entre 2010 e 2017. Artista residente da Circular Associação Cultural desde 2012, tendo também coordenado o programa educativo da associação entre 2018 e 2023. Formou-se em Teatro no Balleteatro em 1993, integrando posteriormente a sua companhia de dança em diversas criações. Como intérprete e coreógrafo colaborou em produções do BCN – Ballet Contemporâneo do Norte (2012 – 2021). Colaborou com diversos programas de formação artística como o FAICC – Formação Avançada em Interpretação e Criação Coreográfica, da Companhia Instável, a Oficina ZERO ou o Balleteatro Escola Profissional. Em 2016 foi assistente convidado no Curso de Especialização em Performance na FBAUP. Entre 2016 e 2018, integrou o grupo Sintoma – Performance, Investigação e Experimentação, orientado por Rita Castro Neves e desenvolvido pelo i2ADS na FBAUP. É autor, coautor ou colaborador em publicações no campo das artes performativas, entre as quais: Cuidados Intensivos (2013), Intermitências (2016), Documentário (2018), ARK Porto – Escola dos Confins e de Nenhures (2012, com Inês Moreira), Modos de Usar (2022), Microcidades (2026). Atualmente desenvolve um doutoramento em Arte Contemporânea no Colégio das Artes, Universidade de Coimbra, com bolsa da FCT.
14h30
praça central
ICC
10' + 25'
M/6
acesso livre
Papel - Entre o que nos nomeia
e o que escolhemos ser
Rita Ferreira
Performance + laboratório
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PAPEL investiga o nome enquanto um espaço de negociação contínua entre subjetividade, relação e norma, uma estrutura instável de identidade, onde múltiplas formas de existência coexistem e se transformam em função dos contextos em que são convocadas. Estas variações não são apenas conceptuais, mas também corporais e sonoras. Através de um conjunto de práticas que incluem movimento e diálogo, pretende-se explorar de que forma o nome pode alterar como o corpo se organiza, responde e se apresenta no espaço, ativando diferentes estados de presença e reconhecimento.
Utilizando diversas linguagens físicas abre-se espaço para a pesquisa, experimentação e reflexão acerca de identidade, nomeação e pertença, evidenciando a complexidade e multiplicidade de versões de um mesmo sujeito, atravessado por contextos pessoais, profissionais e institucionais.
Este laboratório surge como uma forma de partilha do processo criativo utilizado até ao momento para construir “PAPEL” e um contributo para uma pesquisa mais ampla, que pretende acumular diferentes experiências relacionadas com a identidade e a forma como esta se constrói através da repetição de atos e normas sociais para dar continuidade a este projeto ainda não finalizado.
Rita Ferreira, 27 anos, Porto, artista e médica em constante procura do diálogo e equilíbrio entre estes dois universos. Iniciou a sua formação em dança no Ballet Clássico aos 3 anos seguindo o método RAD, sendo que atualmente foca o seu trabalho na dança contemporânea. Concluiu o Mestrado Integrado em Medicina pela UNL em 2023. Foi Campeã Nacional em Ginástica de Trampolins. Concluiu os cursos FAÍCC (2025) e Oficina Zero (2026), tendo colaborado com vários artistas nacionais e internacionais e, interpretado e co-criado diversas peças. Recentemente estagiou em “Lowlands” de Hélder Seabra e “Barro, Terra Molhada Onde a Bota Escorrega” de Mafalda Deville.
Enquanto artista, interessa-se pela interpretação e envolvimento no processo criativo como um todo; procura a exploração da escuta interna e sua expressão corporal; questiona a relação entre o seu conhecimento científico e anatómico e a sua linguagem artística; valoriza o encontro e a partilha com o coletivo; e tem um forte interesse em práticas acrobáticas e fisicalidades intensas que explorem os limites do corpo humano.
17h00
blackbox
ICC
40'
acesso livre
Entre o gesto e o vestígio (uma investigação performativa sobre corpo, imagem e memória)
Lara Pires
Conferência performativa

Há um instante em que o corpo sabe antes de explicar. Um movimento começa antes de se tornar palavra, antes de poder ser fixado numa imagem ou guardado num arquivo. É nesse intervalo — entre aquilo que acontece e aquilo que permanece — que se situa Entre o gesto e o vestígio.
Esta proposta performativa parte do gesto como lugar de pensamento: não como ilustração de uma ideia já formada, mas como uma forma de conhecimento que nasce no próprio corpo, no tempo e na relação com o espaço. Através do movimento, da imagem e da presença, a investigação procura observar o que acontece quando um gesto encontra diferentes modos de inscrição — a fotografia, o vídeo, a escrita, a memória.
O que fica de um corpo depois de ele se mover? O que uma imagem revela e o que inevitavelmente deixa escapar? O que acontece quando uma experiência viva se transforma em vestígio?
Entre o gesto que desaparece e a marca que permanece, a performance constrói um espaço de escuta e de experimentação onde corpo e arquivo se encontram. A fotografia e o vídeo não surgem como formas de conservar integralmente o movimento, mas como parceiros de uma investigação sobre as suas transformações: aquilo que se torna visível, aquilo que se desloca e aquilo que continua a resistir à captura.
Desenvolvida no cruzamento entre dança, investigação artística e práticas de documentação, esta proposta não procura reconstruir um gesto perdido, mas acompanhar as suas sobrevivências. O corpo torna-se arquivo em movimento; o vestígio deixa de ser apenas resto e passa a ser possibilidade de continuar a pensar.
Entre o gesto e o vestígio é, assim, um convite a permanecer nesse lugar instável onde o movimento ainda está a acontecer, mesmo depois de já ter passado.
Sou artista, investigadora e docente, residente em Lisboa. Trabalho no cruzamento entre a dança, a performance, a imagem em movimento e a escrita, interessando-me pelos modos como o corpo produz conhecimento antes de o transformar em linguagem. Doutorada em Artes Performativas e da Imagem em Movimento, desenvolvo uma investigação sobre o gesto, a memória e as formas de inscrição do efémero, explorando as relações entre presença, arquivo e vestígio. A minha obra foi apresentada em Portugal, no Brasil e no Japão, articulando criação artística e investigação em torno daquilo que permanece quando o movimento desaparece.
19h00
praça central
ICC
acesso livre
Ainda sem título
Ricardo Nogueira Fernandes
Concerto
Após o estudo iniciado com a instalação '-500 Hz', o autor pretende explorar o tema da poluição sonora e investigar como as frequências quase imperceptíveis ao ouvido humano podem ser vistas ou sentidas pelo tacto.
Ricardo Nogueira Fernandes, músico e arquitecto, investiga a relação entre som, espaço e corpo. Autor do projeto ∩ (intersectiō; 2019), do álbum Vandoma (2023) e de uma split tape com CAVERNANCIA (2026). Integra a banda portuense TRASGO desde 2023, que lançou álbum homónimo em 2025. Colabora regularmente com o Colectivo Suspeito, a coreógrafa Sara Garcia, o músico João Morais e o realizador João Niza Ribeiro. Com Benjamim Gomes co-criou o cine-concerto BLU▪BLAU▪BLEU▪AZUL, apresentado na Escola das Artes da Universidade Católica (2021) e na Rua das Gaivotas (2022); no âmbito da instalação apresentou a obra -500 Hz na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (2023). Em 2024 colaborou com Filipa Duarte no desenho de som da peça D1V3R: uma possível partitura para não esquecer de pensar.

21h30
blackbox
ICC
acesso livre
Um corpo chamado templo
Dinis Quilavei
Performance

O corpo, território sagrado.
O corpo, casa onde habitam memórias, silêncios, vozes e deuses.
Em Um corpo chamado templo, o gesto torna-se oração, o movimento, cada respiração ergue uma arquitetura invisível - feita de carne, espírito e herança.
Entre o divino e o profano, entre o que permanece e o que se perde, nasce uma dança que procura reencontrar o sagrado nas ruínas do tempo.
Dinís Quilavei é um dos mais destacados bailarinos da cena contemporânea moçambicana. Artista multidisciplinar, transita entre dança, música, performance e teatro, com uma trajetória marcada pela fusão entre tradição e contemporaneidade.
Formado pelo Instituto Superior de Artes e Cultura (ISARC), em Maputo, Dinís participou em projetos com nomes como Janeth Mulapa, Pak Ndjamena, Victor Hugo Pontes, Djam Neguin e Virgílio Sithole, e colaborou com companhias e instituições em Moçambique, Portugal, Espanha e Cabo Verde.
A sua pesquisa artística tem como foco o corpo enquanto território espiritual e cultural, explorando o diálogo entre rituais moçambicanos e linguagens da dança contemporânea. Atualmente desenvolve um solo: Um corpo chamado templo.
Também atua como formador, ministrando workshops de dança contemporânea e danças tradicionais moçambicanas em instituições como o Ballet Teatro do Porto, Estúdios Vítor Cordon, Companhia Paulo Ribeiro e Milorho Grupo de Dança.

