

10h00-13h00
blackbox
M/16
Escrever como quem tropeça
em público - sessão 1
Joclécio Azevedo
workshop de escrita

Neste workshop, a escrita será trabalhada como um processo aberto e intermitente, algo que nos faz permanecer junto daquilo que ainda não sabemos formular.
Serão experimentadas formas de acolher contradições e acidentes, aproximando a escrita do ruído e da distorção. A partir de exercícios práticos e colaborativos a proposta é praticar modos de escrever em relação, incorporando a leitura, apresentação e discussão como partes do mesmo processo.
Partilhar fragmentos de texto será uma forma de expor a escrita ao risco da circulação, de escutá-la noutras vozes e de deixá-la ser atravessada por outras leituras.
Os momentos de discussão permitirão pensar coletivamente que corpos a escrita convoca e que formas de trabalho torna visíveis ou invisíveis.
Workshop dirigido a artistas, estudantes e pessoas interessadas em práticas experimentais de escrita, com ou sem experiência prévia.
Este workshop acontecerá em duas sessões, nos dias 10 e 11 de setembro, entre as 10h00 e as 13h00.
Brasil, 1969. Vive no Porto desde 1990. O seu trabalho articula escrita e coreografia, operando entre gesto, matéria e dispositivos ficcionais. Diretor artístico do Núcleo de Experimentação Coreográfica entre 2006 e 2011. Integrou a direção plenária da GDA/Cooperativa de Gestão dos Direitos dos Artistas) de 2008 a 2023 e foi membro do Conselho de Curadores da Fundação GDA entre 2010 e 2017. Artista residente da Circular Associação Cultural desde 2012, tendo também coordenado o programa educativo da associação entre 2018 e 2023. Formou-se em Teatro no Balleteatro em 1993, integrando posteriormente a sua companhia de dança em diversas criações. Como intérprete e coreógrafo colaborou em produções do BCN – Ballet Contemporâneo do Norte (2012 – 2021). Colaborou com diversos programas de formação artística como o FAICC – Formação Avançada em Interpretação e Criação Coreográfica, da Companhia Instável, a Oficina ZERO ou o Balleteatro Escola Profissional. Em 2016 foi assistente convidado no Curso de Especialização em Performance na FBAUP. Entre 2016 e 2018, integrou o grupo Sintoma – Performance, Investigação e Experimentação, orientado por Rita Castro Neves e desenvolvido pelo i2ADS na FBAUP. É autor, coautor ou colaborador em publicações no campo das artes performativas, entre as quais: Cuidados Intensivos (2013), Intermitências (2016), Documentário (2018), ARK Porto – Escola dos Confins e de Nenhures (2012, com Inês Moreira), Modos de Usar (2022), Microcidades (2026). Atualmente desenvolve um doutoramento em Arte Contemporânea no Colégio das Artes, Universidade de Coimbra, com bolsa da FCT.
17h-18h
online
Terapia da cor
Catarina Real
Consulta individual online 3 de 5

A Terapia da Cor é um projecto-processo-prática experimental de escrita, artepostal e desenho, que faz uso da ideia de pintura expandida e pintura performativa, em conexão com o campo dos estudos afectivos e das práticas de cuidado, para desenvolver experiências terapêuticas. Parte de um domínio experimental de investigação artística que aproxima os gestos artísticos de gestos de ressensibilização do mundo, impactando o domínio sensorial e inferindo na dinâmica psico-emocional do espectador-participante-leitor que com eles se relaciona. Este projecto assenta na certeza de que poderá possibilitar espaços de encontro e diálogo para que os temas de aceleração e desumanização contemporânea possam ser discutidos e expostos interdisciplinarmente, e que a crescente procura por cuidados de saúde complementares possa ser pensada criticamente, consequência de uma sociedade que tenta esconder o esgotamento generalizado por falta de políticas públicas que sirvam os cidadãos e cidadãs. Assenta também na certeza de que a ludicidade e a brincadeira são uma ferramenta útil e necessária para a manutenção do prazer na vida. É um projecto de afirmação de uma prática em que os objectos são uma aparição colateral, e em que o que está realmente a ser trabalhado são as conexões afectivas e as dinâmicas vivas.
Natural de Barcelos, Catarina Real (1992-) é licenciada em Artes Plásticas – Pintura pela Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto. Durante a licenciatura criou uma aversão a palavras como disciplina, arte e artista. Como estratégia de manutenção de alguma sanidade, canalizou o nojo para a ressignificação das palavras e a revolta para a reordenação das gramáticas. Estima palavras como periclitante e inútil. Tem vindo a usar interstícios, afectos e relações como principal matéria de construção artística. Estas matérias têm vindo a dirigir o fazer e o aparecer, dirigindo-a às mais diversas áreas de conhecimento de forma a melhor reformular a questão que a acompanha desde circa 2013: como…? É crente na ética e potência de práticas processuais e acredita que toda a criação é colectiva. É praticante de arte postal. É mestre em Ciências da Comunicação – Comunicação e Artes pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa, onde apresentou uma dissertação dedicada a Maria Gabriela Llansol.
Alimenta o universo da edição independente através do seu trabalho em Edições da Ruína. Com as Edições da Ruína participa regularmente em feiras do livro, feiras gráficas e feiras de edição independente, nacional e internacionalmente, em países como Espanha, Croácia e Estados Unidos. É, desde 2019, vice-presidente da associação francesa Artistes en Résidence, que se dedica à manutenção de tempo e espaço para a criação artística sem contrapartidas produtivas. Mantém uma prática de comentário – nas vertentes de textos de reflexão, textos introdutórios a exposições, entrevistas e moderação de conversas – às obras e processos realizados pelos artistas na sua faixa geracional, com a intenção de contribuir para um ambiente salutar de crítica e criação comunitária.
Apresentou publicamente o seu trabalho em instituições tais como Teatro Municipal do Campo Alegre, Galeria Municipal do Porto, Museu Amadeo de Souza-Cardoso, etc.; espaços independentes tais como Rua do Sol, Plataforma Revólver, Campanice, Graciosa, Laboratório das Artes, Sol Pele, etc.; e galerias como Kubik Gallery, Galeria Madragoa, No.no Gallery e Galeria Graça Brandão.
18h00
blackbox
60'
M/6
untitled #1
Mariana Magalhães
Performance - - ensaio aberto
Um ensaio cinematográfico ou um objeto de autoficção, desenhado a partir de memórias fragmentadas da criadora deste espetáculo, que desejava produzir um biopic baseado na sua história pessoal. Inspira-se nas figuras do universo da artista Cindy Sherman e do poder da representação, transformando figuras simbólicas em fragmentos da mesma identidade, propondo uma reflexão poética sobre aquilo que herdamos das imagens e sobre as personagens que inventamos para aprender a dizer eu.

Porto, 1993. Mestrado em Artes Cénicas (2018) variante interpretação e direção artística pela Escola Superior de Música e Artes do Espetáculo. Possui, da mesma instituição, uma pós- graduação em dança contemporânea (2017) e licenciatura em Teatro, variante interpretação (2015). Frequenta o curso de Teatro na Falmouth University, no âmbito do programa ERASMUS. Curso de interpretação na Academia Contemporânea do Espetáculo. Participou na primeira edição do projeto NÓS – Território (ES)cénico de Portugal e Galicia no espetáculo “Bilingue” (2015), com encenação de Pedro Zegre Penim e texto de José Maria Vieira Mendes. Destaca os espetáculos “O Nome da Rosa” (2016), encenação de Pedro Zegre Penim; “Uma Gaivota” (2017), criação de Estrutura e Pedro Zegre Penim; "Maioria Absoluta" (2018); encenação de Gonçalo Amorim, "Bonecas" (2019), encenação de Ana Luena; “Língua” (2019) criação de Estrutura; "Universal Declaration of Human Rights" (2022), encenação de Jorge Andrade; “Justos entre as Nações” (2023) encenação de Eduardo Molina, “Ligações Perigosas, encenação de Hugo Tourita (2026), “Filodemo” (2026), encenação de Pedro Penim, entre outros. Participa regularmente em formações, destacando os workshops com The Impermanence Dance Theatre Company, Los Banditos Theatre, Julia Olimpia Sykala, Andreas Dyrdal, Mark Tompkins e Benoît Lachambre. Fundou, em 2018, o grupo colectivoRETORNO com quem desenvolveu “Uma Frida” (2019, TNDMII), “Nina, Nina” (2018, Rua das Gaivotas 6) e “A Nossa Primavera” (2018, Rua das Gaivotas 6). Dirigiu a sua primeira criação “My Body is a Cage”, que esteve em cena no CAL – Centro de Artes de Lisboa, em Julho de 2022. Participou na edição de 2023 da École des Maîtres, dirigida pelo mestre Marcial di Fonzo Bo. É psicóloga clínica, especialização em dinâmica, grau atribuído pela Universidade de Lisboa
19h15
praça central
45'
M/6
Concerto
Ricardo Nogueira Fernandes
Concerto
Após o estudo iniciado com a instalação '-500 Hz', o autor pretende explorar o tema da poluição sonora e investigar como as frequências quase imperceptíveis ao ouvido humano podem ser vistas ou sentidas pelo tacto.
Ricardo Nogueira Fernandes, músico e arquitecto, investiga a relação entre som, espaço e corpo. Autor do projeto ∩ (intersectiō; 2019), do álbum Vandoma (2023) e de uma split tape com CAVERNANCIA (2026). Integra a banda portuense TRASGO desde 2023, que lançou álbum homónimo em 2025. Colabora regularmente com o Colectivo Suspeito, a coreógrafa Sara Garcia, o músico João Morais e o realizador João Niza Ribeiro. Com Benjamim Gomes co-criou o cine-concerto BLU▪BLAU▪BLEU▪AZUL, apresentado na Escola das Artes da Universidade Católica (2021) e na Rua das Gaivotas (2022); no âmbito da instalação apresentou a obra -500 Hz na Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto (2023). Em 2024 colaborou com Filipa Duarte no desenho de som da peça D1V3R: uma possível partitura para não esquecer de pensar.
Fotografia © Pedro Jafuno

21h30
blackbox
40'
M/6
Entre o gesto e o vestígio (uma investigação performativa sobre corpo, imagem e memória)
Lara Pires
Conferência performativa

Há um instante em que o corpo sabe antes de explicar. Um movimento começa antes de se tornar palavra, antes de poder ser fixado numa imagem ou guardado num arquivo. É nesse intervalo — entre aquilo que acontece e aquilo que permanece — que se situa Entre o gesto e o vestígio.
Esta proposta performativa parte do gesto como lugar de pensamento: não como ilustração de uma ideia já formada, mas como uma forma de conhecimento que nasce no próprio corpo, no tempo e na relação com o espaço. Através do movimento, da imagem e da presença, a investigação procura observar o que acontece quando um gesto encontra diferentes modos de inscrição — a fotografia, o vídeo, a escrita, a memória.
O que fica de um corpo depois de ele se mover? O que uma imagem revela e o que inevitavelmente deixa escapar? O que acontece quando uma experiência viva se transforma em vestígio?
Entre o gesto que desaparece e a marca que permanece, a performance constrói um espaço de escuta e de experimentação onde corpo e arquivo se encontram. A fotografia e o vídeo não surgem como formas de conservar integralmente o movimento, mas como parceiros de uma investigação sobre as suas transformações: aquilo que se torna visível, aquilo que se desloca e aquilo que continua a resistir à captura.
Desenvolvida no cruzamento entre dança, investigação artística e práticas de documentação, esta proposta não procura reconstruir um gesto perdido, mas acompanhar as suas sobrevivências. O corpo torna-se arquivo em movimento; o vestígio deixa de ser apenas resto e passa a ser possibilidade de continuar a pensar.
Entre o gesto e o vestígio é, assim, um convite a permanecer nesse lugar instável onde o movimento ainda está a acontecer, mesmo depois de já ter passado.
Sou artista, investigadora e docente, residente em Lisboa. Trabalho no cruzamento entre a dança, a performance, a imagem em movimento e a escrita, interessando-me pelos modos como o corpo produz conhecimento antes de o transformar em linguagem. Doutorada em Artes Performativas e da Imagem em Movimento, desenvolvo uma investigação sobre o gesto, a memória e as formas de inscrição do efémero, explorando as relações entre presença, arquivo e vestígio. A minha obra foi apresentada em Portugal, no Brasil e no Japão, articulando criação artística e investigação em torno daquilo que permanece quando o movimento desaparece.
22h30
blackbox
25'
M/6
Um corpo chamado templo
Dinis Quilavei e Mbalango
Performance

O corpo, território sagrado.
O corpo, casa onde habitam memórias, silêncios, vozes e deuses.
Em Um corpo chamado templo, o gesto torna-se oração, o movimento, cada respiração ergue uma arquitetura invisível - feita de carne, espírito e herança.
Entre o divino e o profano, entre o que permanece e o que se perde, nasce uma dança que procura reencontrar o sagrado nas ruínas do tempo.
Dinís Quilavei é um dos mais destacados bailarinos da cena contemporânea moçambicana. Artista multidisciplinar, transita entre dança, música, performance e teatro, com uma trajetória marcada pela fusão entre tradição e contemporaneidade.
Formado pelo Instituto Superior de Artes e Cultura (ISARC), em Maputo, Dinís participou em projetos com nomes como Janeth Mulapa, Pak Ndjamena, Victor Hugo Pontes, Djam Neguin e Virgílio Sithole, e colaborou com companhias e instituições em Moçambique, Portugal, Espanha e Cabo Verde.
A sua pesquisa artística tem como foco o corpo enquanto território espiritual e cultural, explorando o diálogo entre rituais moçambicanos e linguagens da dança contemporânea. Atualmente desenvolve um solo: Um corpo chamado templo.
Também atua como formador, ministrando workshops de dança contemporânea e danças tradicionais moçambicanas em instituições como o Ballet Teatro do Porto, Estúdios Vítor Cordon, Companhia Paulo Ribeiro e Milorho Grupo de Dança.
Mbalango
Artista multidisciplinar nas áreas de de teatro, atuação e composição. Nascido em Maputo, Moçambique, com actual morada em Lisboa, Portugal. Formado em música no ano de 2013, pela escola nacional de música de Moçambique. Toca mbira e outras percussões, canta e compõe músicas. Desde 2016, Colabora regularmente com a Companhia centro de recriação artística (Maputo) dirigida por Gigliola Zacara. Colabora com Yuck Miranda desde 2016, e tiveram paragens como: Brasil (Niteroi), espectáculo Zita e Frankfurt, Alemanha, para a criação do espetáculo Jotta. Em 2021- hotel Europa, produção amores de leste(actor e musico). Já teve paragens em festivais, concertos e colaborações: festival tambouriland (lisboa), performance com Julien Creuzet no palais de Tokyo Paris, festival poetas de alma (Maputo), festival da mbira (Maputo) e Motherland festival, Lisboa Portugal e concerto no centro cultural Brasileiro, praia(cabo Verde). Desde 2015- dedica-se na construção de mbiras composição, música e performance.

